Associação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
HISTÓRIA E DEVOÇÃO
À NOSSA SENHORA DO
PERPÉTUO SOCORRO
Em meados do século quinto,
atestava-se que um quadro da mãe de Deus foi levado de Jerusalém para Constantinopla.
Quando foi pintador e por quem, não se sabe. Há uma antiga tradição que se atribui
sua autoria a São Lucas, mas isto certamente deverá entrar para o rol das estórias.
O quadro, digno produto de arte bizantina, foi exposto à veneração pública numa
igreja da ilha de Creta. O povo católico passou a rezar diante dele com grande confiança
e não ficou desiludido. Logo se ouviu falar de graças extraordinárias alcançadas,
e isto evidentemente aumentou a fama do quadro.
Um belo dia ele desapareceu. Um comerciante cretense que tinha ligações com o Ocidente
havia secretamente subtraído o quadro, nada se sabendo de suas intenções. Após um
ano, o comerciante chega a Roma com o seu quadro. Lá adoece gravememte. MAnda chamar
um amigo e pede para que cuide dele. Apesar dos esforços, o doente ia de mal a pior.
Chama o amigo e lhe pede o último favor. Conta-lhe a história do quadro que o havia
subtraído secretamente de uma igreja, onde operava muitos milagres. E como a morte
se aproximava, desejava que o amigo o levasse a qualquer igreja da sua escolha.
Morre o comerciante e o romano leva o quadro para casa, onde sua mulher pede com
insistência que o quadro permaneça ali, onde ficou nove meses.
Então aparece a gloriosa virgem a esse romano e o aconselha a colocar o quadro num
lugar mais digno. O pedido não é atendido. A virgem aparece mais duas vezes e nesta
última, dizendo que se ele não colocar o quadro numa igreja, perecerá miseravelmente.
O romano com medo conta tudo a sua mulher, mas ela não cede. A Santíssima virgem
apareceu novamente e falou-lhe: "- Por várias vezes já te adverti que me tirasse
daqui, mas tu não quiseste acreditar." Realmente o homem adoeceu e morreu.
Depois disso a virgem apareceu à filhinha deles de seis anos e disse: "- Dize à
tua mãe: - A Santa Maria do Perpétuo Socorro
quer que a tirem da casa de vocês e
que faça venerar o meu quadro entre Santa Maria Maior e São João do Latrão, na igreja
dedicada ao apóstolo São Mateus.
A mulher em prantos, se sentindo culpada pela morte do marido, resolve obedecer
a ordem. E assim o quadro foi transladado, na presença do clero e de todod o povo. Neste percurso se deu o primeiro milagre. Um homem paralítico do seu lado direito
recomendou humildemente à santíssima virgem e a Deus, e foi curado.
Assim o quadro, muitas vezes chamado "Madonna de San mateo" ou Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro, foi colocado na citada igreja do santo apóstolo São Mateus em
27 de março de 1499, onde permaneceu por 300 anos.
O QUADRO DESAPARECE - Com a invasão de Roma pelos franceses, no fim do século XVIII,
a igreja de São Mateus, que já estava ameaçada de ruir, foi destruída. Alguns monges
agostinianos (convento de Santo Agostinho), que guardavam a igreja de São Mateus,
levaram o quadro para o convento vizinho de Santo Euzébio. O lugar onde colocaram
o quadro é desconhecido.
Mal terminara o século XVIII e é eleito um novo papa, o PIO VII. Este entregou o
convento de Santo Euzébio aos padres jesuítas, e ao mesmo tempo, deu aos agostinianos
o convento de Santo Maria in Postérula. A igreja do convento de pequenas dimensões
era dedicada a Nossa Senhora e o altar-mor se venerava já desde 1573 um devoto quadro
da mesma. Assim não se admira que os agostinianos colocassem a sua Madonna del
Perpétuo Socorro na capela de seu convento.
O QUADRO É DESCOBERTO - O padre jesuíta Francisco Blose pregava no começo de 1863.
Em uma das suas pregações lamentou muito que o tão venerado quadro de Nossa Senhora
do Perpétuo Socorro. havia decênios, tivesse desaparecido, sendo assim subtraído
à veneração por parte do povo, e quem soubesse do paradeiro do mesmo se manoifestasse
e tratasse de ser tomada em consideração a vontade expressa de Nossa Senhora.
Esta pregação causou grande impacto entre o povo e aos padres Redentoristas, que
tinham a sede de seu governo, no alto do Esquilino (uma das sete colinas da Roma
antiga), perto do lugar onde antes encontrava a igreja de São MAteus. Compreende-se
assim que esta revelação despertasse neles o desejo de conseguir esse tesouro para
a igreja que recentemente haiam construído, dedicada ao santíssimo Redentor e Santo
Afonso.
Diante disso, o superior geral da congregação resolveu esperar, e esperou por quase
três anos: refetia, rezava e pedia orações. Convencido de que estava fazendo
a vontade
de Deus, redigiu um pedido e solicitou uma audiência com o Papa Pio IX.
Em meados do século XIX, o papa Pio IX chamou a Roma os padres Redentoristas, que
se estabeleceram no antigo convento dos Agostinianos, no local onde existira a igreja
de São Mateus. Foi então que um dos religiosos encontrou documentos relativos a
uma imagem da Virgem Maria, famosa pelos grandes milagres que realizava. Após muita
procura o quadro foi encontrado por uma revelação especial de Nossa Senhora.
Deste modo o quadro milagroso passou para os filhos de Santo Afonso, "Não sem especial
disposição da providência Divina", como diz o ofício da fesa de Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro.
Novamente no translado do quadro em solene procissçao, não podiam faltar provas
extraordin´´arias do poder e da bondade de Nossa Senhora. A multid/ao tomou de assalto
a igreja dos Redentoristas.
No dia 23 de junho de 1867 foi celebrada uma festa, única na acepção da palavra.
O quadro foi solenemente coroado por delegação do cabido do Vaticano.
A estrela eluzente que um dia se deslocara do Oriente para Roma, voltava para o
Esquilino, onde havia brilhado durante três séculos e recomeçava a brilhar com mais
intensidade ainda.
Há 125 anos, a Madona del Perpétuo Socorro se encontra na igreja de Santo Afonso
em Roma, e como um imã atrai os corações.
A partir desta data, o culto e a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi
se espalhando pelo mundo inteiro. A festa própria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
é celebrada no dia 27 de junho.
O ÍCONE DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
O "ícone" nada mais é que um quadro destinado ao culto. Por
isso tem características
especiais, diferentes daquele cujo fim único é proporcionar o gozo estético. Os
autores de ícones são pessoas contemplativas, geralmente monges ou monjas, e o trabalho é executado em profundo recolhimento, oração contemplativa e jejum. No Oriente,
a arte cristã serve-se dalinguagem simbólica muito mais que no Ocidente.
O fundo do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é de outro, simbolizando
a glória do paraíso, para onde iremos, lavados pelo perpétuo socorro de Maria.
A virgem Maria está vestida com uma túnica de cor púrpura, distintivo das virgens
no tempo de Nossa Senhora e um manto azul escuro (indicação de sua humanidade) que
lhecobre a cabeça. O olhos de Maria, grandes, voltados sempre para nós, afim de
ver todas as nossas necessidades. Sua boca pequenina para guardar silêncio e evitar
as palavras inúteis. A mão esquerda de Maria sustenta Jesus. A mão do consolo que
Maria estende a todos que a ela recorre nas lutas da vida. A mão direita estendida
em direção ao menino representa sua intercessão juntoa seu Filho.
A Mãe de Deus é nesse quadro a figura principal e aparece cheia de majestade, destacada
ainda mais perto pelo fundo dourado, e sobre sua cabeça brilha uma estrela de oito
raios. A estrela que nos guia no mar da vida até o porto da salvação.
à altura da cabeça de Nossa Senhora estão abreviadas as duas palavras que são o
resumo de toda a sua grandeza "METER THEOU" (Mãe de Deus). Igualmente à altura da
cabeça do menino Jesus constam a primeira e a última letra das palavras correspndentes
em grego "IESOUS CHRISTOS".
O menino Jesus (embora criança tem uma expressão de maturidade, que convém a um
Deus eterno) olha apreensivo parea os instrumentos da sua paixão, que lhe são apresentados
pelos Arcanjos Miguel e Gabriel. Suas mãozinhas apertam a mão de Maria, como para
pedir-lhe proteção e com o movimento de horror a sandália do pé esquerdo se desamarra.
Simboliza também um pecador preso a JEsus por um fio - o último - a devoção à Nossa
Senhora.
As coroas sobre as cabeças de Mãe e Filho não fazem parte do quadro original, mas
foram colocadas em solene cerimônia oficial em 23 de junho de 1867.
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